Pesquisa em grupo - Não-Objetos e Artistas Cinéticos


Não-Objeto

Trepantes – Lygia Clark

A série Trepantes (1963) de Lygia Clark, busca romper com a arte tradicional e com o limite entre obra e mundo. Essas obras em espiral, que se entrelaçam e podem ser adaptadas a diferentes ambientes e superfícies, são feitas principalmente de metais flexíveis como aço inoxidável, alumínio ou cobre, mas também de borracha. Não são pensadas juntamente com apoios, pedestais, molduras ou bases. Ao contrário, elas se espalham e se adaptam organicamente ao espaço em que são colocadas. Essa abertura rompe a ideia de obra estática e fixa, aproximando a arte da experiência sensorial e da participação direta do espectador, princípios centrais do neoconcretismo.

Lygia Clark com um Trepante em 1972.

















Por que eu considero a série de obras como Não-Objetos? 

Considero os Trepantes como não-objetos justamente porque rompem com a lógica tradicional da escultura, que muitas vezes depende de bases e pedestais. Mesmo quando aparecem apoiados em peças de madeira ou pedra, não se restringem a elas e podem ser recolocados, adaptados e integrados a diferentes espaços. Essa flexibilidade convida o público a interagir com a obra, característica essencial na definição do não-objeto. Além disso, não representam nada externo nem possuem função utilitária. Existem por si mesmos, como formas abertas que apresentam algo novo e que se atualizam constantemente por meio da interação e da recolocação em diferentes posições, gerando percepções singulares a cada experiência. Os Trepantes são não-representativos, integram o espaço, modificando-o ao mesmo tempo em que são modificados pela ação do público. Dessa forma, quem entra em contato, deixa de ser apenas um observador e passa a ser parte constitutiva da obra, dando sentido total a ela.

Particularidades materiais, sensoriais e contextuais importantes das obras

Materiais: criada com materiais flexíveis, que permitem a adaptação e movimento no espaço.

Sensoriais: Efeitos de luz e reflexo gerados pelos metais, que são percebidos pelo público ao entrar em contato com as obras. Textura do metal que desperta percepção tátil com o toque.

Contextual: Inseridas na arte neoconcreta, que valoriza a experiência do espectador e a integração entre obra, espaço e público.

Arte Cinética

Theo Jansen


Theo Jansen é um artista cinético holandês que combina ciência, engenharia e arte em suas criações. Formado em física, ele começou como pintor antes de se dedicar à escultura, aplicando seus conhecimentos para criar obras que parecem ganhar vida própria. Inspirado por ideias de evolução e movimento, Jansen trabalha há mais de 28 anos desenvolvendo suas criações, e já levou suas obras para exposições ao redor do mundo, incluindo Japão, México, Chile e Estados Unidos. Ele publicou livros e participou de documentários, consolidando-se como referência na arte cinética contemporânea.


Strandbeests


Os Strandbeests, ou “animais da praia”, são esculturas gigantes que se movem sozinhas com a força do vento. Construídas principalmente com tubos de PVC, garrafas plásticas e materiais simples, elas se assemelham a esqueletos de animais e se locomovem de maneira incrivelmente realista. Cada geração de Strandbeests evolui a partir das anteriores, aprimorando suas estruturas e funcionalidades. Algumas incorporam mecanismos que as ajudam a evitar obstáculos, como água ou areia fofa, e até portas lógicas primitivas para mudar de direção. Além do movimento, Jansen valoriza o som gerado pelas engrenagens, que lembra estalos suaves. As esculturas não são apenas obras de arte, mas também experimentos de engenharia e adaptação ao ambiente, caminhando e interagindo com a praia de forma autônoma.

Animaris Multi Tripodes 2020, um robusto antilope-marinho com 36 patas.



Pesquisa extra

Penetrables - Jesús Rafael Soto

Os Penetrables, criados pelo artista venezuelano Jesús Rafael Soto a partir da década de 1960, são instalações imersivas compostas por centenas de fios ou hastes suspensos verticalmente no espaço, formando volumes que o espectador é convidado a atravessar. Longe de serem esculturas para serem contempladas à distância, essas obras transformam-se em ambientes sensíveis, nos quais a visão, o tato e o movimento se integram em uma experiência única. 

Ao adentrar o espaço, o visitante sente o toque dos fios no corpo, percebe a instabilidade visual das repetições e experimenta um efeito vibratório e dinâmico, que varia conforme a posição e o deslocamento.

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