Fichamento do texto "Design: Obstáculo para a remoção de Obstáculos?", Vilém Flusser
Principais ideias do texto
• Objeto vem do latim objectum, que significa “lançado no meio do caminho”. É tudo aquilo que se interpõe entre o sujeito e seu objetivo.
• O mundo é “objetivo” porque é composto por coisas que nos impedem ou dificultam a ação. Ele também é “objetal” e “problemático”.
• Objeto de uso é um objeto criado para afastar outros obstáculos, ou seja, um meio para superar dificuldades. Contradição: o objeto de uso também é um obstáculo, um instrumento criado para remover barreiras, mas que se torna uma nova barreira.
• A cultura, entendida como o conjunto dos objetos de uso, vive um processo cíclico: o ser humano encontra obstáculos no mundo; transforma alguns em objetos de uso (cultura); esses objetos, com o tempo, viram novos obstáculos.
Consequência: quanto mais a cultura avança, mais o ser humano é impedido pelos próprios objetos que cria. Dependemos dos objetos para progredir, mas eles também bloqueiam o caminho.
• Os objetos de uso foram projetados por pessoas que vieram antes de nós, lançados no caminho para facilitar o progresso. Esses projetos ajudam no avanço, mas também podem obstruí-lo, criando novos obstáculos.
• Cada pessoa, ao criar, também lança objetos no caminho de outros, o que gera a questão de como projetar de forma a ajudar e não atrapalhar os sucessores.
• O ato de projetar envolve responsabilidade estética (forma) e política (impacto sobre os outros) - núcleo da Gestaltung (configuração).
• Os objetos de uso são meios de comunicação entre as pessoas, não apenas coisas, são intersubjetivos e dialógicos, além de objetivos.
• Quando o criador se concentra apenas no objeto em si (no aspecto material e funcional), ele restringe a liberdade cultural e gera obstáculos futuros.
• Desde a Renascença, o design tem sido voltado exclusivamente à utilidade e ao domínio técnico, o que leva à criação de objetos cada vez mais eficientes, porém menos humanos.
Consequência: a cultura atual valoriza o design irresponsável, considerando o design responsável como retrógrado ou antiquado.
• Os antigos profetas chamavam de “pagãos” os que se deixavam dominar pelo mundo material. Os objetos que prendem nossa atenção foram chamados de “ídolos”. A sociedade contemporânea vive um “culto aos ídolos”, isto é, uma adoração aos objetos de uso e à sua materialidade.
• Atualmente, o designer moderno começa a ter uma postura menos pagã e mais profética, voltada para a comunicação entre pessoas. O design passa a lidar com objetos imateriais, como softwares e redes de comunicação, que ainda são ídolos, mas transparentes, pois deixam visível o aspecto humano e intersubjetivo por trás deles.
• Tanto os objetos materiais quanto os imateriais são transitório, eles perdem sua forma, sua “informação”, e acabam descartados. Os restos e resíduos (materiais ou digitais) obstruem o caminho tanto quanto os objetos de uso. Dessa forma, a responsabilidade do criador não termina na criação, inclui também o destino e o descarte dos objetos.
• Reconhecer a efemeridade das criações pode levar a uma cultura mais responsável e comunicativa, na qual os objetos sejam menos obstáculos e mais pontes entre as pessoas.


Comentários
Postar um comentário